Por: Claudemir Gonçales
A ética passa a se efetivar na prática quando o indivíduo constrói uma visão de totalidade de si! O que implica na consciência do que somos e fazemos ao longo da vida pessoal e profissional. No entanto, a diversidade são as diferenças visíveis e invisíveis entre as pessoas, que incluem gênero, habilidades mentais e físicas, raça, etnia, identidade sexual, religião, nível educacional, idade, status conjugal, poder aquisitivo, entre outras.
As diferenças podem resultar em experiências variadas, diferentes valores, diferentes formas de pensar e agir, alguns indispensáveis, entre eles, dinamismo no pensar e agilidade no ato de empreender, para que desta forma o profissional que incorpora as características que seguem, sai do imobilismo que o acomoda, e mergulha no dinamismo que poderá resolver questões sociais que nos agridem diariamente. Sob esta perspectiva, para lidar com a diversidade se faz necessário um olhar positivo sobre as diferenças e um compromisso de valorizar o indivíduo por razões sociais e morais e principalmente por sua própria subjetividade.
Cabe ao docente valorizar a diversidade e lidar com ela cotidianamente, esta é a peça chave para o combate ao preconceito, à discriminação, à estereotipação e à injustiça, estimulando as pessoas a um posicionamento para a compreensão quanto ao impacto que suas palavras e ações podem ter.
Na prática da docência é fundamental considerar a escola como um local onde transitam diversas culturas, diversos saberes e diversos atores sociais, dos quais imprimem-se valores éticos, logo, constitui-se em um espaço da construção e desconstrução. Sendo assim, ela desempenha um papel relevante no sentido de fomentar uma reflexão sobre crenças, valores e preconceitos, de modo a promover o respeito às diferenças socioculturais, raciais, religiosas e sexuais.
Para discutir a formação docente, inicialmente busquemos problematizar o termo formação,que traz consigo alguns significados que precisam de uma reflexão mais acurada, formação seria como a união de forma ou fôrma mais ação, podendo ser entendida como ação de gerar forma ou a ação de por em uma fôrma.
Diante das normativas existentes, como num movimento cíclico, os processos formativos sempre foram pautados num olhar vicioso de formação, onde a rigor modela-se docentes como seres passivos que deveriam se enquadrar aos saberes que muitas vezes estavam alienados aos desafios presentes no cotidiano escolar.
Entretanto, tratar de ações que visem à formação de docentes, requer que antecipadamente, percebamos a impossibilidade de sua associação com uma modulação, a engessá-la a um molde ou uma "fôrma". Devemos ter em mente que este é um processo construtivo, desvelador, revelador de que o saber e o senso crítico possibilitam aos diversos atores sociais saírem da condição de coadjuvantes e passarem a ser protagonistas no processo formativo, importante também é ter a compreensão do significado intrínseco deste espaço, de forma associada ao contexto. De igual modo, refletir na ação formativa do educador, esta associado a pensar numa formação continuada, analisando a história, contrapondo as ações atuais e buscando uma melhoria nas ações futuras.
Entendido isso, é importante salientar que não podemos discutir formação docente desarticulada do currículo dos cursos de formação, visto que os mesmos estão imbricados; logo torna-se relevante legitimar as narrativas dos docentes e discentes como autores das cenas curriculares.
A ética implica na consciência da formação de docentes decentes, envolve assim um agir como protagonistas e o formar consciências a partir da compreensão do contexto histórico, considerar as inclusões do diferente em todas as suas vertentes, nuances e expressões. Coadunar numa dinâmica desprovida da inércia normativa, reafirmar valores, conhecimentos e honestidade com o compromisso de uma docência legitimadora do educar e do saber para a formação humanizadora que cabe ao homem exercer a docência com decência.